A consultoria agrícola Agroconsult publicou, em 25 de março de 2026, suas projeções consolidadas para a safra de soja 2025/2026, apontando produção de 184,7 milhões de toneladas métricas — um novo recorde histórico para o Brasil e crescimento de 6,6% em relação à temporada anterior, equivalente à adição de 11,5 milhões de toneladas ao mercado global.

Os Motores do Recorde

A recuperação do Rio Grande do Sul é o destaque da temporada. Após anos de perdas causadas por secas severas, o estado gaúcho registrou salto expressivo de produtividade: de 37 sacos por hectare na safra anterior para 48,7 sacos por hectare na atual, impulsionado pela normalização das chuvas e pela adoção acelerada de tecnologias de irrigação de precisão.

A Bahia consolidou sua posição de liderança em produtividade técnica, com média de 70,3 sacos por hectare — o maior índice do país. O resultado é atribuído ao sistema de semeadura intensiva dupla irrigada, copiado do Centro-Oeste e adaptado às condições do Cerrado baiano.

EstadoProdutividade (sc/ha)Variação AnualDestaque
Bahia70,3+4,2%Maior produtividade do Brasil
Mato Grosso62,1+1,8%Maior volume absoluto
Goiás58,4+2,1%Expansão de área plantada
Paraná54,2+3,5%Recuperação pós-La Niña
Rio Grande do Sul48,7+31,6%Maior salto percentual

Milho em Contração: O Outro Lado da Moeda

O cenário positivo da soja contrasta com a segunda safra de milho (safrinha). A Agroconsult projeta contração de 6,2% na produção, resultando em 141,6 milhões de toneladas, devido ao déficit de chuvas em Goiás e Minas Gerais até maio. O custo dos fretes, já elevado pelo conflito no Oriente Médio, deve pressionar ainda mais as margens dos produtores de milho.

Contexto Internacional: Tarifas e Logística

O recorde de produção ocorre em um ambiente comercial desafiador. As oscilações tarifárias internacionais, especialmente as tensões comerciais entre EUA e China, criam incertezas sobre os preços de exportação. O conflito no Oriente Médio eleva os custos de frete marítimo, pressionando as margens dos exportadores brasileiros.

Apesar das adversidades, o agronegócio brasileiro demonstra resiliência estrutural. A Conab, sob nova gestão de Silvio Porto, coordena o abastecimento interno, enquanto o leilão federal de concessão de florestas para créditos de carbono atraiu a operadora Re.green, sinalizando a diversificação das receitas do setor rural para além da produção de grãos.