A economia brasileira demonstrou resiliência em janeiro de 2026, com expansão da atividade econômica em quatro das cinco macrorregiões do país, segundo dados do Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR) do Banco Central. O resultado positivo, no entanto, convive com a pressão de uma taxa Selic em 14,75% ao ano e um dólar que encerrou a semana cotado a R$ 5,309, alta de 1,79%.
Crescimento Regional: Centro-Oeste Lidera
O Centro-Oeste registrou o maior crescimento mensal entre as regiões, com expansão de 1,7% em janeiro de 2026 em relação a dezembro de 2025, impulsionado pelos robustos rendimentos do agronegócio e pela estabilidade logística. No acumulado de 12 meses, a região avança 5,4%.
| Região | Crescimento Mensal | Crescimento Interanual | Acumulado 12 Meses |
|---|---|---|---|
| Centro-Oeste | +1,7% | +3,9% | +5,4% |
| Norte | +1,1% | +1,2% | +3,0% |
| Sudeste | +1,1% | +1,8% | +1,8% |
| Nordeste | +0,6% | +2,6% | +2,6% |
| Sul | -0,5% | -0,2% | +2,0% |
Entre os estados, o Amazonas liderou com crescimento de 2,5%, seguido por Pará (2,1%) e São Paulo (1,8%). A região Sul foi a única a contrair, impactada por gargalos climáticos em Santa Catarina (-0,9%) e Rio Grande do Sul (-0,1%).
A Selic e o Dilema do Banco Central
O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa Selic para 14,75% ao ano na reunião anterior, mas emitiu avisos explícitos sobre o elevado grau de incerteza global gerado pela escalada do conflito no Oriente Médio. O Brasil mantém uma das segundas maiores taxas reais de juros do planeta — configuração que atrai capital especulativo estrangeiro, mas encarece o crédito doméstico.
"Os próximos passos do Banco Central estão explicitamente condicionados aos efeitos do preço do petróleo na inflação local." — Ata do Copom, março de 2026
Consumo: Recuperação Desigual
Dados da Mastercard SpendingPulse indicam que o varejo nacional iniciou 2026 com expansão de 3,4%, liderada pelo Nordeste (5,9%). O crescimento, porém, é concentrado em bens discricionários e de luxo, sugerindo recuperação econômica desigual focada nas classes média e alta.
Política Fiscal: Bloqueio e Estímulo Simultâneos
A equipe econômica do Ministério da Fazenda, sob o comando de Fernando Haddad, realizou um delicado ato de reequilíbrio: decretou bloqueio contingencial preventivo de R$ 1,6 bilhão do orçamento federal de 2026 para cumprir o arcabouço fiscal, mas simultaneamente sancionou R$ 15 bilhões em fundos de assistência para setores produtivos afetados pelo conflito no Oriente Médio. O governo manteve a projeção de crescimento do PIB para 2025 em 2,3%.



