Uma pesquisa de intenção de voto divulgada pelo instituto AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, em 25 de março de 2026, revelou um cenário eleitoral inédito para as eleições presidenciais de outubro: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) empata tecnicamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um hipotético segundo turno, com leve vantagem numérica de 47,6% a 46,6%.

Os Números da Pesquisa

A sondagem, realizada com 3.200 eleitores entre os dias 18 e 22 de março, apresenta margem de erro de 1,7 ponto percentual. No cenário de primeiro turno, Lula mantém liderança com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro oscila entre 36% e 42% dependendo da composição do campo de candidatos.

CenárioFlávio Bolsonaro (PL)Lula (PT)Diferença
2º Turno (simulação direta)47,6%46,6%+1,0 p.p. (Flávio)
1º Turno (campo fragmentado)36–42%46%+4–10 p.p. (Lula)
Aprovação do governo Lula38%

A "Quarentena" de Jair Bolsonaro

O fortalecimento de Flávio ocorre em um momento crítico para o patriarca da família. O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta hospitalar e iniciou regime de prisão domiciliar, cuja execução foi autorizada pelo Ministro Alexandre de Moraes, do STF. A defesa do ex-presidente declarou publicamente que seu quadro de saúde é "permanente", não passageiro.

Essa confissão médica levou aliados do PL a prever o início de uma longa "quarentena eleitoral" para Jair Bolsonaro. Impedido de realizar comícios e diplomacia política presencial, o capital político do movimento de direita migra inteiramente para seus filhos — principalmente Flávio, senador pelo Rio de Janeiro.

"O Flávio não é o candidato B. Ele é o candidato A de um movimento que precisou se reinventar sem o seu fundador nas ruas." — Cientista político Murillo de Aragão, em entrevista à CNN Brasil

Rio de Janeiro: Crise Governamental e Eleições Indiretas

O estado de origem de Flávio Bolsonaro vive sua própria turbulência política. Após a renúncia do governador Cláudio Castro sob pressão de inquéritos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a exigência de eleições indiretas — realizadas pela Assembleia Legislativa — para preencher a vacância do Executivo estadual.

Castro sinalizou intenção de disputar uma vaga no Senado Federal em 2026, mesmo enfrentando condenações que o tornariam tecnicamente inelegível pela Lei da Ficha Limpa, contando com recursos processuais para adiar o trânsito em julgado.

Marcos Legislativos: Misoginia e Vicaricídio

Em paralelo ao cenário eleitoral, o Congresso Nacional avançou com legislação social relevante. O Senado aprovou projeto que tipifica e criminaliza a misoginia — o ódio sistêmico contra mulheres — com sanções penais mais rígidas. Também foi aprovada a criação do crime de "vicaricídio", que penaliza com até 40 anos de prisão pais que assassinam filhos com o objetivo de infligir sofrimento psicológico à mãe das crianças.